Uma reportagem da Exame analisa por que jovens brasileiros estão adiando marcos tradicionais da vida adulta, como morar sozinho, investir e construir patrimônio. O custo de vida elevado e a instabilidade econômica tornaram essas etapas financeiramente inviáveis para muitos, que agora priorizam a sobrevivência e o pagamento de contas básicas.
Os principais fatores apontados são o alto preço dos imóveis, a inflação persistente e os salários estagnados. Jovens que antes planejavam sair da casa dos pais após a faculdade agora permanecem mais tempo no lar familiar, enquanto investimentos de longo prazo, como ações e fundos imobiliários, são deixados de lado por falta de renda disponível. O custo para alugar um imóvel, por exemplo, consome mais de 50% da renda de muitos trabalhadores.
Essa tendência tem implicações profundas: atraso na formação de poupança, menor acesso ao crédito e maior dependência financeira dos pais. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para o risco de uma geração com menos patrimônio acumulado e mais vulnerável a emergências. A falta de educação financeira também é citada como agravante, embora a realidade econômica seja o principal obstáculo.