Um estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) projeta uma desaceleração significativa no consumo das famílias e nas vendas do varejo brasileiro até 2026. O levantamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), aponta que o crescimento do consumo deve cair de uma média de 3,2% ao ano no período 2023-2024 para cerca de 2,5% nos próximos dois anos, pressionado por juros elevados, endividamento das famílias e menor dinamismo do mercado de trabalho.
Para o setor varejista, a projeção é de crescimento médio de 2,8% ao ano entre 2025 e 2026, abaixo dos 4,1% registrados em 2024. O estudo destaca que o varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, deve sentir a desaceleração de forma mais intensa, com taxa de expansão próxima de 2% no período. O consumo de bens não duráveis, como alimentos e produtos de higiene, tende a se manter mais resiliente, enquanto itens de maior valor devem sofrer maior retração.
Os pesquisadores da FGV alertam que o cenário macroeconômico adverso, com inflação persistente no setor de serviços e política monetária restritiva, deve continuar limitando o poder de compra da população. A pesquisa também aponta que a desaceleração do crédito e o aumento da inadimplência são fatores de risco adicionais para o varejo nos próximos anos, o que pode exigir ajustes estratégicos dos empresários do setor.