O O Globo noticiou que o varejo brasileiro registrou no primeiro trimestre o maior volume de vendas da série histórica, impulsionado por fatores como a recuperação do poder de compra e o crédito aquecido. No entanto, o desempenho positivo escancara um velho paradoxo do setor: vender mais não significa, necessariamente, crescer de forma rentável.

A explicação está na margem apertada dos varejistas, que enfrentam custos operacionais crescentes — como aluguel, logística e energia — e a competitividade acirrada com o comércio eletrônico. Além disso, o aumento de vendas muitas vezes vem acompanhado de maiores descontos e promoções, comprimindo ainda mais o lucro. O resultado é um volume físico recorde, mas com rentabilidade estagnada ou em queda para muitos players.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o varejo precisa migrar de um modelo baseado em volume para outro focado em eficiência operacional e diferenciação de serviços. A pressão sobre as margens deve continuar nos próximos trimestres, especialmente se a economia desacelerar. A lição do primeiro trimestre é que, para crescer de forma sustentável, não basta vender mais — é preciso vender melhor.