Um estudo divulgado pela Exame aponta que apenas 8% das corporações brasileiras tratam a biodiversidade como prioridade estratégica. O levantamento revela um descompasso significativo entre as metas diplomáticas do país, que assumiu compromissos internacionais de preservação ambiental, e a realidade do setor empresarial, que ainda vê o tema com baixa relevância nos seus planejamentos.
Para especialistas ouvidos na reportagem, a falta de engajamento com a biodiversidade representa um risco à competitividade e à própria sobrevivência dos negócios no longo prazo. Empresas que ignoram a dependência de serviços ecossistêmicos, como polinização, regulação hídrica e fertilidade do solo, podem enfrentar custos crescentes e perda de mercado à medida que regulamentações e preferências de consumo se tornam mais rigorosas.
O estudo contrasta com o protagonismo internacional do Brasil em fóruns sobre clima e biodiversidade, sugerindo que as ambições diplomáticas não se traduzem em ações práticas no âmbito corporativo. A pesquisa recomenda que as empresas integrem métricas de biodiversidade aos seus relatórios de sustentabilidade e adotem metas mensuráveis, alinhando-se aos objetivos nacionais e globais de conservação.